90 horas de trabalho por semana e plantões de 12 horas sem parar para almoçar ou beber água. E ninguém está nem aí para os direitos dos médicos residentes.

É isso que residentes do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo relataram à imprensa essa semana, sob anonimato, com medo de represálias. Uma denúncia foi feita ao CNRM. O hospital diz que segue a legislação.
A lei que regula a residência médica no Brasil estabelece carga horária máxima de 60 horas semanais. Sessenta horas já é muito. Noventa é uma outra conversa.
E o que incomoda não é só o número, é a normalização da perda dos direitos dos médicos residentes.
Médico residente que denuncia jornada abusiva arrisca o vínculo, a vaga, a especialização pela qual estudou anos. O anonimato na denúncia não é covardia, é a única saída razoável dentro de um sistema que trata exaustão como prerrogativa da formação médica.
“Desenvolvemos depressão, ansiedade e colegas desistiram”. Essas são palavras de residentes ouvidos pela reportagem. E vou dizer: não são exceções não. Infelizmente isso acontece muito.
Médico residente tem direitos! A Lei 6.932/1981 garante carga horária máxima, folga semanal, férias, descanso pós-plantão. Quando esses direitos são sistematicamente descumpridos, existe caminho legal para contestar, denunciar e, em alguns casos, buscar reparação.
Mas para isso é preciso saber que esses direitos existem e que exercê-los não é frescura nem fraqueza.
A medicina exige muito, mas exaurir quem está aprendendo a salvar vidas não forma médicos melhores, forma médicos quebrados.
Você está passando ou passo por isso na sua residência? Vamos conversar sobre os direitos dos médicos residentes?
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