setembro 30 2019 0Comment
esperma filho falecido 30.09.19

Justiça dos EUA permite que pais gerem neto com esperma de filho falecido

Decisão reacendeu debate ético sobre a questão: jovem morreu após sofrer acidente

 

A Justiça norte-americana autorizou os pais de Peter Zhu, que morreu em março deste ano, a utilizarem o esperma do filho para gerararem um neto. O jovem, que tinha 21 anos e era cadete da Academia Militar dos EUA, faleceu após um acidente que ocorreu enquanto esquiava no norte do estado de Nova York.

O rapaz foi encontrado inconsciente e levado ao hospital, onde os médicos declararam que ele havia fraturado a coluna — dias depois foi constatada sua morte cerebral. Mantido vivo por auxílio de aparelhos, os pais de Zhu entraram com um pedido na Justiça para extrair o esperma do jovem enquanto ainda possuía sinais vitais — o procedimento foi autorizado.

Por mais que tivesse apenas 21 anos, o cadete desejava ter ao menos três filhos e constituir uma família, de acordo com os relatos da família no tribunal de justiça. “[Queremos] preservar a possibilidade do uso do esperma de Peter no futuro para realizar postumamente seu sonho de ter filhos e continuar a linhagem da família”, relataram os parentes à CNN.

Questão ética
A resolução da justiça gerou um debate ético em torno da questão, principalmente porque Zhu não deixou nenhum tipo de testamento em que autoriza o uso de seu material genético após sua morte. Para o juiz da Suprema Corte de Nova York, John Colangelo, o jovem ter evidenciado tantas vezes o desejo de ser pai “presume intenção” de ter filhos, logo ele optou por autorizar a utilização do esperma pela família.

No entanto, o juiz observou em sua decisão que os pais podem ter “certos obstáculos” à medida que avançam, como profissionais médicos que não estão dispostos a concluir o procedimento, ou dificuldades para encontrar uma mulher que se disponha a gerar o bebê.

Como explicou o professor de bioética e chefe da divisão de ética médica da Escola de Medicina da Universidade de Nova York ao The Washington Post, esse caso é “um atoleiro ético”. Isso porque não há sistema definido para perguntar às pessoas o que elas querem com seu material genético após sua morte.

Caplan disse que existem muitas outras considerações éticas além do “desejo de ter filhos”, particularmente sobre o que é do melhor interesse da criança — o pai falecido queria que a criança fosse criada usando um substituto? Será que esse pai queria que o filho fosse criado por seus avós ou alguém que não fosse o pai verdadeiro? Quando e como esse pai queria que a criança fosse informada da verdade?

Fonte: Galileu.

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